A Honda, a Taisei Corporation e a Taisei Rotec desenvolvem no Japão um sistema capaz de transferir energia para veículos elétricos enquanto eles circulam. A tecnologia usa acoplamento magnético entre componentes instalados no pavimento e receptores no veículo. O objetivo é reduzir paradas para recarga e atender também caminhões e outros modelos comerciais de grande porte.

A Honda pesquisa carregamento dinâmico sem fio desde 2021 e iniciou o trabalho conjunto com as duas empresas em 2025. Cada parceira assumiu uma parte da infraestrutura. A montadora desenvolve unidades de transmissão e recepção de energia de alta densidade e compatíveis com corrente contínua; a Taisei trabalha no fornecimento elétrico; a Taisei Rotec, na integração dos módulos ao asfalto.

Os testes procuram resolver dois desafios ao mesmo tempo. O sistema precisa entregar potência suficiente a um veículo em velocidade, mas também resistir ao peso, à vibração e às mudanças de temperatura de uma estrada real. Os componentes já foram submetidos a um milhão de passagens de roda com carga de 49 quilonewtons, avaliação usada para verificar durabilidade antes de uma aplicação pública.

A meta técnica inclui chegar a 150 kW e manter a transferência em velocidades elevadas, com controle sobre vazamento eletromagnético. Diferentemente de uma base de carregamento parada em uma garagem, a estrada precisa reconhecer o veículo, fornecer energia no intervalo correto e interromper a operação de forma segura quando não há um receptor compatível sobre o trecho.

As empresas pretendem demonstrar a solução em via pública no Japão durante o ano fiscal de 2027, dentro do Tateyama Project. A demonstração não significa implantação imediata em grandes rodovias. Ela permitirá medir eficiência, manutenção, interação com o tráfego e comportamento do pavimento em condições reais, pontos essenciais para calcular custo e escala.

Para veículos comerciais, a recarga em movimento pode ter valor específico. Caminhões percorrem rotas longas, carregam baterias pesadas e perdem produtividade em paradas prolongadas. Trechos eletrificados em corredores definidos poderiam fornecer parte da energia durante a viagem, reduzindo a capacidade de bateria necessária. O benefício, porém, depende de padrões comuns e de uso intenso o bastante para justificar a obra.

A proposta da Honda transforma a estrada em parte do sistema de propulsão, mas não elimina estações convencionais. Garagens, depósitos e carregadores rápidos continuariam necessários. A questão que os testes japoneses tentarão responder é onde a infraestrutura dinâmica faz sentido: em rotas frequentes, frotas previsíveis e locais nos quais o tempo parado custa mais. Antes disso, potência, segurança, durabilidade e manutenção terão de funcionar juntas sob o asfalto.