Proprietários reclamam de superaquecimento e quebras no pistão da Mitsubishi L200

Alguns donos de Mitsubishi L200 andam esquentando a cabeça, tanto quanto os motores 2.5 turbodiesel a diesel de suas picapes. Não são raros os casos das versões Sport, Outdoor e GL produzidas depois de 2003 apresentarem superaquecimento, que pode chegar a fundir o motor e furar a cabeça do pistão.

É por essa razão que há nove meses o pecuarista Rogério Nazar, de Batatais (SP), não consegue dirigir sua L200 Sport HPE 2003. “Durante uma viagem o motor fundiu. Quando a levei à concessionária de Itumbiara (GO), onde havia duas picapes com o mesmo problema, disseram o que o conserto custaria 12800 reais”, diz Rogério. Depois de muito brigar, ele conseguiu um novo motor, mas teve de pagar 3000 reais pela mão-de-obra.

Porém o motor começou a apresentar barulho em excesso, o que fez Rogério procurar uma oficina independente. “O mecânico mostrou que o novo cabeçote estava trincado e que haviam retirado a válvula termostática, deixando ventoinha ligada direto.” De volta à concessionária, soube que não trocariam o cabeçote e teria de pagar mais 4300 reais pelo conserto. Agora o carro está parado e Rogério está brigando na Justiça.

Segundo proprietários e mecânicos especializados, o superaquecimento ocorre porque os bicos injetores apresentam defeito e acabam encharcando a câmara, provocando pré-detonação e, em último caso, a ruptura da cabeça do pistão. Curiosamente, a Mitsubishi enviou um boletim técnico à sua rede para que ela trocasse as bronzinas das L200 Sport, Outdoor e GL fabricadas de agosto de 2003 a abril de 2005 que entrassem nas suas oficinas autorizadas.

No meio desse “recall branco”, estava a L200 Sport HPE 2004 do empresário Eder Gonçalves Pereira, de Campo Mourão (PR). “Os problemas começaram após eu ser chamado para trocar as bronzinas, em dezembro de 2006. Depois rodei 60000 quilômetros até que o motor travou. Colocaram um novo motor, mas após 20000 ele ferveu. Foi preciso aplainar o cabeçote e trocar a junta”, diz Eder.

Porém nem isso resolveu. “Após rodar 4000 quilômetros com o motor refeito, o pistão furou e eu parei de levar à autorizada. Fui para um mecânico de confiança. Espero que não quebre mais.”

Segundo o mecânico especializado em diesel Reginaldo Bonvini, os problemas nas L200 aumentaram após o motor 2.5 da Mitsubishi receber em 2003 um intercooler. “A principal causa do defeito está no fato de desde 1997 esses motores 4D56 e 4M40 terem recebido melhorias para aumentar a potência sem a mesma preocupação de melhorar a refrigeração. Com o intercooler, o problema se agravou”, afirma Reginaldo. “E como o novo motor 3.0 e 3.5 [usados a partir de 2007] foram projetados para ter uma potência maior e uma refrigeração melhor, os relatos de problemas são bem mais baixos.”

O POVO RECLAMA

“Desde que eu comprei o carro, não consegui usá-lo. Em 5000 km o pistão furou três vezes. Já gastei mais de 10000 reais.”

Eduardo Costa Cassiano, de Goiorê (PR), dono de uma L200 RS Sport 2004

“Já quebrou a turbina, furou dois pistões e trincou o bloco. Não confio mais. Consertei o motor e vendi o carro”

Rafael Luiz Braganholo, de Virmond (PR), dono de uma L200 HPE Outdoor 2007

A Resposta

A Mitsubishi afirma que o problema do motor da L200 ocorre em decorrência de falhas da manutenção, como o uso do aditivo de radiador não original. Isso tem como conseqüência o superaquecimento. Além disso, empresa desenvolveu o kit Heavy-Duty para solucionar casos específicos de proprietários que fazem uso do veículo de forma severa. Sobre os pistões furados, não há nenhum registro pela montadora

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