Para os apaixonados por carros clássicos no Brasil, o Chevrolet Opala ocupa um lugar sagrado. Mas você já parou para fazer as contas de quanto custaria tirar um desses da concessionária hoje, se aplicássemos a correção monetária? Nos anos 80, o preço de partida de um Opala era de Cr$ 25.563.162. Numa conversão direta e simplista para a moeda atual, isso giraria em torno de R$ 9,3 mil. Já o sonho de consumo da época, a versão Diplomata com seu motor 4.1 de 6 cilindros, custava Cr$ 48.251.842, o que hoje seria algo próximo de R$ 17,5 mil. Entretanto, a economia não é tão simples e, ao trazermos esses valores para a realidade inflacionária de 2023, o cenário muda drasticamente.

O verdadeiro custo da nostalgia

Quando corrigimos os valores pela inflação acumulada, o preço de um Opala de entrada hoje se torna muito menos convidativo: ele custaria exatos R$ 115.870. Esse valor é mais de 12 vezes superior ao preço original convertido puramente pelo câmbio. Para colocar em perspectiva, isso equivale a praticamente 88 salários mínimos atuais. Um trabalhador brasileiro médio precisaria dedicar cerca de 7,3 anos de trabalho integral apenas para juntar o montante necessário para a versão mais básica do veículo.

A situação fica ainda mais surreal quando olhamos para o topo de linha. O Opala Diplomata 4.1, corrigido para os dias de hoje, sairia por impressionantes R$ 218.644. Representando 165,6 salários mínimos, seriam necessários quase 14 anos de economia para estacionar esse luxo na garagem.

Realidade de mercado e a Tabela Fipe

Felizmente, para quem busca adquirir um pedaço dessa história, a realidade do mercado de usados é bem diferente das simulações econômicas. O Opala, que saiu de linha em 1992 com a marca histórica de 1 milhão de unidades vendidas — encerrando sua trajetória com a série limitada Diplomata SE Collectors, que vinha até com chaves banhadas a ouro e fita VHS —, tem preços tabelados bem mais acessíveis.

Na Tabela Fipe, o modelo sedã básico com motor 2.5 é avaliado em R$ 11.319, enquanto o Comodoro 4.1 gira em torno de R$ 19.134. No “chão de loja”, é possível garimpar unidades funcionais por até R$ 8,5 mil. Contudo, a raridade inflaciona o mercado: exemplares em estado de concurso e conservação impecável viraram itens de colecionador, podendo ultrapassar tranquilamente a barreira dos R$ 60 mil.

Uma solução radical para o combustível caro

Enquanto os cálculos sobre o preço do carro assustam, o custo do combustível sempre foi outro pesadelo para os motoristas brasileiros. Foi pensando nisso que, em Santa Catarina, uma família encontrou uma solução inusitada para manter um Chevrolet rodando sem depender dos postos de gasolina. Trata-se de um Chevrolet Styleline Deluxe 1952 que, há quase meio século, roda utilizando lenha como combustível.

A história começou em 1977, quando Arnold Schmidt e seu filho, Elemer, decidiram converter o sedã clássico em meio a crises do petróleo. Seis meses após o início do projeto, o carro voltou às estradas movido a toras de madeira em vez de combustível líquido. O sistema, conhecido popularmente como gasogênio, consiste em um gerador instalado no porta-malas que queima a madeira para produzir um gás combustível. Esse gás é então canalizado por mangueiras diretamente para o motor original de 3.6 litros e 105 cavalos de potência.

Economia e legado nas estradas

O funcionamento é similar a uma adaptação caseira de GNV, mas com uma fonte de energia que custa quase nada. Segundo a família Schmidt, uma carga completa de lenha garante autonomia para cerca de 80 quilômetros. A economia foi tão expressiva que o veículo não entra em um posto de gasolina há mais de 45 anos.

Surpreendentemente, não se trata de uma gambiarra ilegal. O veículo modificado passou pelo crivo técnico da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e recebeu aprovação oficial para circular em vias públicas. Seja pelo valor histórico do Opala ou pela engenhosidade do Styleline a lenha, os modelos da Chevrolet continuam provando que, no Brasil, a paixão por carros supera qualquer barreira econômica.