A Mazda vive um momento de dualidade estratégica, equilibrando o desenvolvimento de tecnologias futuristas de sustentabilidade com a renovação pragmática de sua linha atual de veículos. Recentemente, a montadora japonesa chamou a atenção global tanto pela revelação do Vision X-Coupe, um conceito capaz de capturar emissões enquanto roda, quanto pela definição da estratégia comercial da nova geração de seu SUV mais vendido, o CX-5.

O futuro respira: Vision X-Coupe

Apresentado durante o Japan Mobility Show 2025, o carro-conceito Vision X-Coupe traz uma proposta ousada: capturar e reciclar emissões de carbono. Equipado com a tecnologia proprietária “Mobile Carbon Capture”, o veículo filtra o dióxido de carbono diretamente do sistema de exaustão. A premissa da Mazda é interceptar esse gás — um dos principais causadores das mudanças climáticas — antes que ele escape para a atmosfera. Ao integrar essa tecnologia ao escapamento, o esportivo consegue capturar as emissões de forma eficiente durante a condução.

O segredo do funcionamento está no uso de zeólita, um mineral poroso posicionado dentro do dispositivo de captura. Esses minerais agem como uma esponja, absorvendo os gases nocivos conforme o fluxo de exaustão passa por eles. O plano da Mazda vai além da captura: a empresa pretende reciclar esse carbono. O material retido pode ser removido e reutilizado para estimular o crescimento de plantas em estufas agrícolas ou convertido em materiais de carbono de alta performance, insumos valiosos para diversas indústrias, incluindo a automotiva.

Testes nas pistas e metas ambientais

Para provar a viabilidade da tecnologia em condições extremas, a Mazda levou o sistema para o automobilismo. A equipe instalou o dispositivo em um Mazda3 de competição que disputa a série de resistência Super Taikyu, no Japão. Durante uma corrida de quatro horas no Fuji International Speedway, o sistema absorveu com sucesso o dióxido de carbono do escapamento, mesmo sob o estresse de altas velocidades, calor intenso e vibração constante.

Essa iniciativa reforça a abordagem de “múltiplas soluções” da marca. Reconhecendo que muitos carros a gasolina e híbridos permanecerão nas ruas por anos, a Mazda busca atingir a neutralidade de carbono até 2050 combinando veículos elétricos, motores mais limpos, combustíveis neutros e tecnologias de captura como a do Vision X-Coupe.

A realidade do mercado: Novo Mazda CX-5 2026

Enquanto o futuro é desenhado nos laboratórios, a realidade comercial ganha forma com a chegada da terceira geração do CX-5. Totalmente renovado para o ano modelo 2026, o SUV compacto surpreendeu por evitar aumentos drásticos de preço, comuns em trocas de geração. O modelo partirá de US$ 31.485, valor que já inclui a taxa de frete de US$ 1.495. Isso representa um acréscimo modesto de apenas US$ 940 em relação ao modelo 2025, apesar das melhorias em tecnologia, espaço interno e design.

Sob o capô, o utilitário mantém o motor 2.5 de quatro cilindros do modelo anterior, entregando 187 cavalos de potência e 186 lb-ft de torque. Um diferencial competitivo importante é que, assim como em todos os SUVs da marca, a tração integral (AWD) é item de série. Isso fortalece a proposta de valor do CX-5 frente aos líderes do segmento, como Honda CR-V e Toyota RAV4, que geralmente cobram um valor extra por esse recurso.

Versões e expectativas de lançamento

A Mazda optou por uma estratégia de preços agressiva para manter o CX-5 competitivo. Embora não haja menção imediata de uma versão turbo, a montadora confirmou que uma nova motorização híbrida está prevista para 2027. O novo CX-5 deve chegar às lojas nos próximos meses, com valores escalonados conforme a versão:

  • Mazda CX-5 2.5 S: US$ 31.485

  • Mazda CX-5 2.5 S Select: US$ 33.485

  • Mazda CX-5 2.5 S Preferred: US$ 35.745

  • Mazda CX-5 2.5 S Premium: US$ 38.395

  • Mazda CX-5 2.5 S Premium Plus: US$ 40.485

Com essa dupla abordagem, a fabricante japonesa tenta garantir sua relevância imediata com um produto acessível e bem equipado, ao mesmo tempo em que investe em tecnologias que podem garantir a sobrevivência do motor a combustão em um futuro mais sustentável.